
Este texto foi tirado de um artigo do Diario de Noticias. Fala sobre os perigos que os adolescentes enfrentam ao utilizar a internet sem qualquer ajuda ou informação, pois os adolescentes podem entrar em sites poucos apropriados para a sua idade.
Muitos dos portugueses ainda receiam deixar os filhos entregues ao mundo da Internet. Outros confiam os mais pequenos às novas tecnologias de informação, ignorando os riscos. Afinal, até que ponto é seguro permitir que as crianças utilizem este instrumento de forma solitária, numa idade em que a capacidade crítica não está totalmente formada? A Comissão Europeia já definiu um programa para as famílias e professores evitarem que os mais novos acedam a sites nocivos, como os pornográficos.
O Conselho de Telecomunicações da UE vai lançar, em 2005, o programa «Safer Internet Plus», para combater os conteúdos ilícitos e racistas da Internet, assim como as mensagens electrónicas comerciais não solicitadas, as spam. Irá durar até 2008 e o objectivo é consciencializar para a nova realidade.
De acordo com uma sondagem dos promotores do programa, mais de metade do tráfico mundial de correio electrónico é «spam», uma percentagem muito superior aos sete por cento registados em 2001. Mais de 60 por cento dos pais disseram não saber a quem devem denunciar os conteúdos ilegais e perigosos da Internet, além de que muitos desconhecem os riscos a que os filhos estão sujeitos.
Basta um clique no link errado, ou num site desconhecido, para nos expormos a temas prejudiciais ou colocar em risco a nossa privacidade. Se, de um lado, é necessário apostar na formação dos pais, a escola também exerce um papel fundamental na forma como as crianças se relacionam com os computadores. A convicção é do sociólogo Gustavo Cardoso, para quem cabe aos pais e docentes prepararem as crianças para o mundo em que vivem. «Quando levamos os nossos filhos para a escola, avisamo-los dos riscos que correm ao falarem com um desconhecido. Com a Internet, passa-se o mesmo».
Segundo aquele sociólogo, «todas as sociedades são de risco», e as novas tecnologias não são excepção». Têm é de ser «usadas de forma correcta desde muito cedo, o que não acontece no nosso País», diz.
O estudo europeu já tinha concluído que apenas um terço das crianças portuguesas utiliza regularmente a Internet, número muito inferior ao dos países do Norte da Europa, aonde as pessoas dominam esta área desde tenra idade.
Gustavo Cardoso explica que os portugueses só recorrem regularmente à Internet a partir dos 15 anos, o que os posiciona atrás dos países desenvolvidos em termos de competitividade. Isto porque «a tecnologia é a ferramenta que permite comunicar em rede, a nível pessoal e profissional». Os países que informam os cidadãos desde a infância «detêm a chave do futuro», diz, e Portugal está em desvantagem «se não apostar nos mais novos».
Para corrigir esta lacuna, é necessário ensinar as crianças a utilizar a Internet desde muito cedo. «Devíamos facilitar o acesso aos computadores, mas também aumentar as capacidades educativas dos utilizadores», defende.
Mas, se alguns especialistas sustentam que o Portugal deve apostar na formação dos mais novos, outros defendem que, mais importante do que dominar o uso da Internet, é a presença de adultos na evolução da vida de uma criança. A psicóloga Madalena Fontoura não vê com bons olhos que se deixe a criança a navegar sozinha, quando ainda não tem capacidade crítica. «Vai ser inevitavelmente atraída para o sensacional e o bizarro», diz.
Mesmo nas escolas que permitem o acesso aos computadores, os alunos raramente os usam para estudar. Segundo aquela psicóloga, muitos começam a criar o «mau hábito» de fazer um simples copy e paste de sites da Internet quando têm de entregar um trabalho. Conclui que a Net não é uma necessidade premente, além de que «as crianças precisam de uma chave de leitura que só o educador pode dar».